Pensando a Galiza global

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Artigo para o nº 112 do Novas da Galiza.

Fugindo da melhor das tradiçons galeguistas, o movimento de reivindicaçom nacional tem rejeitado a via da valorizaçom do nosso país na esfera política da esquerda global.

Do ponto de vista do nacionalismo galego, alternativa de governo com poder político e postulante ativo a ocupar posiçons hegemónicas no campo social avançando a partir do terreno institucional, a miopia quanto à importáncia de pôr a Galiza no mapa global tem sido relevante.

Tomando como experiência o (vice)governo quintanista, o modo de abordar a questom tem-se situado fora do ámbito de atuaçom de um pretenso governo progressista, fugindo de alianças ou afinidades com outras realidades que, usando o poder institucional, estejam a dar passos à esquerda no planeta. Com umha política exterior caracterizada polo provincialismo, o país foi pensado como marca comercial exportável através dos clássicos estereótipos impostos.

No que di respeito ao leque da esquerda independentista, atuando de forma antagónica às referências catalás ou bascas, a subjetividade preponderante tem sido a de sugerir a ideia de que aquelas pessoas e coletivos interessados em fazer valer a ideia da Galiza na constelaçom de movimentos globais som umha sorte de aventureiros, quando nom autênticos complexados, que na realidade tentam procurar longe do país o que nom encontram nas singularidades do próprio.

Porém, que acontece com os movimentos sociais, da cidadania organizada em geral? À exceçom de dinámicas concretas vinculadas ao tecido de centros sociais, de coletivos específicos setorialmente interessados na questom internacional (Altermundo, Amarante, Implicadas, FugaEmRede…) ou, em tímidas ocasions, do ambientalismo em defesa da terra, a dificuldade para fazer umha análise complexa do contexto global tem feito que muitos dos movimentos populares do ámbito nacional ficassem orfos de referências e alianças além do checkpoint simbólico dos Ancares.

E que podemos fazer no futuro?

Parece imprescindível abrir umha discussom plural em relaçom à necessidade de pôr, de forma coordenada, o planeta Galiza na esfera das esquerdas transformadoras. E fazê-lo, polo menos, em três parâmetros:

Primeiramente, consolidar a participaçom de ativistas do país em foros de debate e coordenaçom. Lugares como os FsM ou diversos encontros internacionais temáticos onde é preciso participar, tomar a palavra e, já de regresso no País, esforçar-se por difundir e comunicar.

Em segundo lugar, tentar ampliar a presença de ativistas com visom  de país em açons políticas de envergadura internacional, como podem ser missons de apoio a luitas  na América latina (MsT, zapatistas, povos indígenas), no ámbito dos países árabes, ou em açons de ativismos coordenados, com vontade de transcender a esfera pública e romper a lógica sistémica da cooperaçom internacional, valorizando a açom política solidária.

Finalmente, explorar as vias para que militantes dos movimentos, com perfis políticos e intelectuais específicos, podam participar, fornecendo e recebendo experiências, em processos de transformaçom política, especialmente no laboratório das esquerdas que continua a ser a América latina, partilhando processos constituintes como os que tenhem lugar na Venezuela, na Bolívia ou, em diferente medida, noutros países aderidos ao AlBA.

Que pode tirar a pluralidade da esquerda nacional de umha estratégia como esta? Além de pôr o país no mapa como elemento central, fomentar umha nova base ativista impregnada de novas culturas políticas e de mobilizaçom.

Aproximar a Galiza das questons do sul e globais é essencial para compreender os fluxos dos processos de confrontaçom antissistémica atuais e por vir. Também se conseguiria trocar a perceçom caritativa que grande parte da juventude tem em relaçom ao mundo nom ocidental por umha cultura solidária, radical e consciente ou elaborar novos ámbitos de conexom com umha Galiza exterior cada vez mais diversa e fundamentalmente desconectada das dinámicas antagonistas existentes no país.

Castelao dizia que “os bons galegos somos expatriados ainda que vivamos na Galiza”. Porém, está na hora de pôr este país com força no horizonte dos movimentos de emancipaçom. E para todo isto som precisas duas premissas. Umha ideológica, a respeito de olhar o mundo sempre de um ponto de vista pós-colonial. E umha outra estratégica, na hora de pensar esta coordenaçom como um elemento táctico em que devem coordenar-se todas as sensibilidades dos movimentos de esquerda no país, sem vontades homogeneizadoras e aproveitando, no contexto atual de clara atomizaçom, para empregar o terreno de pensar a Galiza global como um espaço de confluências e um campo para as alianças.

http://www.novasgz.com/pdf/ngz112.pdf

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