Um gesto, um canal

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*Artigo, ao fío de Galiza Ano Cero, publicado inicialmente na Revista Tempos.

Apesar da inegável agitaçom social que atravessa a Galiza de hoje, difícil é negar que a infoesfera audiovisual galega é, em geral, tam predecível como desmoralizadora. A ausência de debates críticos, contidos disruptivos ou informaçons nom monopolizadas polo discurso neoconservador som a verificaçom dum problema fundamental para pensar em qualquer transformaçom social: as esquerdas, as e os de abaixo, a cidadania activa, fomos decididamente despraçados dum formato, o televisivo, que passa por ser o emissor fundamental na criaçom contemporánea de opinióm pública.

O cenario é complexo e as linhas enemigas vigorosas. Porém, cumpre fazer próprias as palavras que os Tupamaros cautivos adoitavam escrever nas paredes do Penal de Libertad ‘Ánimo compañero, si el enemigo está, es porque estamos nosotros’. Ao fio, cumpre lembrar que na perseverância, na imaginaçom e no fazer desde abaixo em colectivo habita as vezes a possibilidade de nom perder: a dia de hoje um destes guerrilheiros cautivos transforma e preside a República do Uruguai. Conscientes do comprometido momento mas das possibilidades abertas, fruto dum cavilar  entre algumhas gentes dos movimentos veu ao mundo das ideias Galiza Ano Cero. Na constataçom de que tam urgentes som os tempos que vivemos como importantes os debates que, sobre pensamentos e práticas, devem dar-se na esquerda política e social.
Desta maneira nasce Galiza Ano Cero. Como um gesto em tempos de emergência. Umha ferramenta através da qual poderíamos tentar repolitizar as palavras de Manolo Montalbán “los dioses se han marchado, nos queda la televisión”, experimentando novas formas e contidos audiovisuais. O nosso método hoje, pretende ser o método da fenda, da fissura. Fraturar o discurso monolítico do capitalismo cultivando discurso crítico, criando comunidade. Mas em realidade, que importância pode ter na Galiza do século XXI um canal de televisom na internet?

Umha possível resposta pode vir da história. Compreenderom a centralidade da imprenta para a difussom da sua mensagem os labregos e labregas anabatistas que luitarom -entre 1524 e 1525- contra os privilégios dos príncipes do Sacro Império Germánico baixo a palavra de ordem Omnia sunt communia! (Todo é comum!). Entendeu a importância da mensagem escrita o socialista francês Jaurés, fundador de L’Humanité, que ante umha I Guerra Mundial que arrastava pobres baixo terra sentenciou ‘o valor consiste em procurar a verdade e dizé-la, nom em tolerar a lei da triunfante mentira’. Foi assassinado o dia prévio ao estourido da guerra. E percebeu Roque Dalton, poeta e militante salvadorenho nos 70, a potencialidade comunicativa de Radio Venceremos, emissora ‘voz obrera y campesina’ do FMLN. A ‘tormenta que toca la raíz de los volcanes’, chamou-na sem ambagens. Diferentes tempos, similares desejos, diversos formatos para a comunicaçom.

Este projecto trata de ser público e transparente. Pode-se consultar, apoiar, ou integrar-se nele a partir das diferentes apresentaçons que se estám a realizar polo país ou entrando na página web galizaanocero.tv. Mas, que podemos tentar humildemente com este gesto, com este ponto de partida? Inicialmente, ante a privatizaçom e banalizaçom do campo mediático, seguir abrindo vias para reconstruirmos o público, o comum como elemento comunicativo. Diante do valor dominante da competiçom, presente também no campo da esquerda, trabalhar desde lógicas cooperativas e federativas com outros meios e experiências do abano informativo do país. Conjugar espaços de confluência, abrir o que está fechado partindo do contacto e a discussom real. Operar, finalmente, como altofalante e mesa redonda entre esquerdas políticas e sociais ponhendo cativos bímbios para lhe disputar à direita a hegemonia mediática e cultural. Nom é reduzido o empenho. Contudo, é como diz o relato popular, quem se mantém acima do barco em soçobra, tém desde ali a oportunidade de chamar a outros para o resgatar.

Bertold Brecht escreveu ‘a verdade é concreta’. Que é entóm, concretamente, Galiza Ano Cero? Pois um canal de televisom na internet que se quer plural e autónomo. Feito desde abaixo e à esquerda. Umha comunidade aberta, umha associaçom cultural, um portal web e, polo de agora, dous programas quincenais. Contidos plurais, mas nom equidistantes. Apenas um inicio para fazer e comunicar. Criar novos meios de expressom com a curiosidade e a humildade de quem chega à costa dumha ilha desconhecida. Fica claro desde ja que umha vez chegamos ao inicío, só poderemos fazé-lo entre todas, se o que queremos é caminhar.

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