Al Yarmuk, Siria, o Estado de sitio e o Genocidio palestiniano

Imagem

Hai ocassons nas que um nom pode senom avergonhar-se, já nom de ser humano, senom de partilhar especie com quem consinte, ordea ou asinteante um assédio que, día após días, está a converter-se no lento genocidio de milheiros de seres humanos. A espeluznante imagem (do passado 30 de janeiro pero feita pública hoje) mostra o campo de refugiadxs palestinxs de Al Yarmuk, nas aforas de Damasco, Siria.

Ser refugiadx e palestinianx é, hoje em Siria, umha dupla condena. Viver num campo de refugiados e ser palestinx sem terra significa estar desesperada e irremisivelmente situado no máis fundo da ‘inhumana escala de humanos’ (que dixo Primo Levi) coa que o 1% da povoaçom de Occidente (os ‘Poderosos da Terra’) decide classificar ao resto da humanidade. Significa viver esquecido do mundo. Viver, como dizia Foucault, num buraco negro, o buraco negro da miséria colonial.

Sem acceso a agua potavel, alimentos ou medicinhas, 18.000 pessoas vivem literalmente enfechadas desde hai meses baixo assédio. No campo viviam 120.000 (ainda que a muitos lhes pesse) pessoas. Porem, aqueles com menos possibilidades (obviamente, mulheres, nenos e anciáns som maioría entre éstes, entre ‘los nadie‘) nom puiderom escapar fai 3 anos, quando o inicio das hostilidades em Siria fazía indicar que, como em toda guerra, os miseraveis haviam pagar, e pagar caro, os interesses de potencias e governos.

Começam a ver-se ‘esqueletes que caminham’. Quem fala é um organismo, penso, nom susceptivel de ser acusado de extremista ideológico de sesgo algum: a UNRWA, a agencia ONU para xs refugiadxs palestinianxs (que, curiosamente tenhem umha agencia propria na ONU devido, principalmente, a que os judeus nom queríam partilhar, após a Segunda Gram Guerra, a agencia mundial para os refugiados com a povoaçom árabe -expulsada por eles mesmos- da Palestina).

Adorno dizera, ‘é impossivel fazer poesía após Auschwitz’. Olhando esta imagem, pois, qualquera pode dar-se conta de que o Holocausto contemporáneo, atravessa e asfixia hoje as ateigadas rúas de Al Yarmuk.

Devemos agradecer, logicamente, aos interesses geopolíticos de EEUU, de Israel, das potencias da UE e de Russia (nom nos distraigamos) está ignominiosa situaçom que interessa a todxs, agás axs refugiadxs palestinianxs. E, agradecer-lhe -nom o esqueçamos- ao Reino de Espanha a súa aportaçom a este conflito no que estám imersas armas fabricadas e traficadas -quem sabe se desde Galiza?- a bom seguro desde o Estado espanhol.

Mahmud Darwish, o grande poeta palestiniano, animava em Estado de Sitio, a alimentar a esperança. E se ainda creemos na esperança, creio eu, devéramos plantar-nos, dizer basta ao sufrimento humano. E devéramos,  isso que ainda chamamos sociedade civil (e as esquerdas!) enviarmos, manha mesmo, umha delegaçom que berre, junto aos habitantes de Al Yarmuk, um “ja basta” alí onde o viver apenas significa sofrimento. Ou isso, ou perguntarmo-nos, como dizía Vittorio Arrigoni, ‘seguimos, seguiremos sendo humanos?’

Unadikum! (Chamamos por vós!).

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