Marea Viva no tsunami democrático

Esta fin de semana a Marea Atlántica celebrou a Marea Baixa, a saber, um espaço para o encontro e o debate artelhado sobre tres días de assembleia cidadá com os que se deu inicio o processo da Marea Viva. E celebrou-se, cumpre nom esqueçer, a pessar da prohiçom e intento de boicote do Partido Popular de Galicia (vía instrumentralizaçom da Conselharía de Educaçom). Porem, e a vista das conseqüencias, da asistencia, a visibilidade e as conclussons, é bem provavel que o Conselheiro Jesús Vazquez nom se percatara que “nom hai como prohibir um direito para alimentar o desejo do mesmo”. Foi assim como, entre venres e domingo, centenas de pessoas participarom dumha Marea Baixa que abre a Marea Viva: cinco semanas de debate com o que apuntalar umha ferramenta cidadá que busca atrever-se a entrar -e governar- em María Pita. Governar para devolver-lhe a cidadanía o governo e, polo tanto, o total poder de decisom. E a vista dos últimos meses, está cada día máis claro que aquí e alá, as e os de abaixo estamos decididos a atrever-nos. A atrevermo-nos a ganhar, ou como lembrava Víctor Hugo, “atrevamo-nos: apenas assim pode conseguir-se a vitoria”.

Vivemos tempos de cambios profundos. Tempos, polo tanto, de perigos e riscos, pero também tempos abertos as oportunidades de avance nas demandas das maiorías sociais. Tres días onde centenas de vizinhos e vizinhas debatem colectivamente o presente e futuro da súa cidade, som tres días de avance de posiçons. Dim as (e os) zapatistas que só podemos avançar quando conscientes do que temos cerca, sabemos olhar longe. E que so podemos progresar quando, conscientes do importante do pequeno, sabemos pensar ao grande. E esta fim de semana, em comúm, pensamos longe e grande, imaginando um futuro onde todo mude para que, no que tem a ver com o poder municipal, nada siga igual.

O humanista francés Anatole Thibault recordava «cada quem tem a idade das súas emoçons». Olhando o percorrido deste processo de confluencia e unidade popular, muitas forom as emoçons deste fim de semana. Máis aínda se o que miramos som as emoçons acumuladas pola Marea Atlántica em pouco máis de seis meses de caminhar. Ao fío, nom devería haver dúvida de que o espaço de confluencia política está conseguindo madurar: organizar e organizar-se junto a centenas de pessoas que alimentam o trabalho das Mareas nos barrios e nos sectores chave. Emocionar e emocionar-se, a base de actos, uns grandes e outros nom tam pequenos, nos que sumar gente recordando que a felicidade, torna-se subversiva sempre que é colectiva. O mar anda a Medrar, ao cabo,aproximando-se a marea cheia, a madurez de idade, através do conjunto de propostas que devem de fazer da cidade da Corunha um lugar máis justo e solidario, máis democrático e igualitario, fundamentalmente, um lugar onde todos e todas, poidamos vivir melhor.

Existem mil motivos para botar dumha vez por todas a aqueles que levam anos roubándo-nos desde as instituiçons. Anos e anos de governos de costas a cidadanía. Anos de especulaçom, de espolio e saqueio, de involuçom democrática e de corrupçom.

Miles som os motivos para bota-los e muitas as formas para fazê-lo. Pero para começar dumha forma sólida, esta fim de semana passada, iniciamos o debate sobre os quatro piares desde os que construír, democraticamente, umha ferramenta de governo. Pero nom um governo como se acostuma, baixo o control do poder económico e financeiro, senom simples e democraticamente, umha ferramenta de governo baixo o estrito control cidadám.

Quatro som os piares escolhidos: Código ético, Forma de Governo, Primarias abertas e Programa participativo. Quatro piares que exigem da implicaçom de todas para que os anos de malos governos passem ao caixom da historia bem aginha, em maio, sem máis tempo que demorar. Pero de, que falamos quando falamos de  Código ético, Forma de Governo, Primarias abertas ou dum Programa participativo, popular?

Quando falamos de Código Ético falamos, por exemplo, de dotarmo-nos dum regulamento que impida, com mecanismos de prevençom e control, que tenhamos, como temos neste momento, um Concelho com umha veintena de imputados entre a Operación Zeta e a Pokemon por cárregos relacionados com a corrupçom. Mecanismos de código ético que desenhem e sustentem um novo marco de valores, proprio dumha auténtica Revolución democrática. Nom so para expulsar toda práctica delitiva, acaso Mafiosa, de toda representaçom institucional. Senom para transformar a arquitectura do poder e que nengumha outra mafia poida imaginar que no público, no que é de todos e todas, vai ter o seu lugar.

Quando falamos de Primarias abertas falamos, por exemplo, de armar-nos de umha forma democrática de seleccionar pessoas para um processo de representaçom no que a amplitude da participaçom desborda o poder concentrado em organizaçons ou grupos de interesse promovendo, ademáis, o debate e o contraste de ideais. Pero sobre todo, falamos de mecanismos de saúde política e democrática que evitem que, como no caso do Vazquismo, aparatos de poder de partidos perpetuem o seu poder com mecanismos clientelares. Queremos umha representaçom política que, ademáis de decidida entre todas, evite a reproduçom, elitista, autocrática e despótica dos partidos do Régime actual.

Quando falamos de Programa participativo, falamos, por exemplo de artelhar um programa que se constrúa, directamente, desde as propostas e demandas dumha cidadanía capacitada e previamente informada. Falamos dum programa que evite os interesses de parte buscando construírse sobre os interesses comúns dumha maioría diversa e plural evitando, por exemplo, que casos como o das Obras da Marinha, que devoram o 21,09% do total de investimento do orçamento municipal e aumentam a déveda do Concello da Corunha em máis de 10 milhons de euros, poidam ter cabida num programa democrático que antepóm o social aos interesses dumha minoría e ao cálculo eleitoral.

Quando falamos, finalmente, de Forma de Governo falamos, por exemplo, de equiparmo-nos de mecanismos que aprofundem a democracia, construíndo, barrio a barrio, ferramentas para exercer um municipalismo participado que seja capaz de gerir processos de decissom colectiva, abrindo as portas a que a vizinhança participe, em primeira pessoa do plural, das decissons que afectam á vida política local. Falamos, polo tanto, de ferramentas de decissom vizinhal e governo desde abaixo que evitem que situaçons como a do Poligono do Ofimático -em San Vicente de Elviña, com numerosas familias em risco de desafiuzamento por umha autoritaria e especulativa gestom urbanística municipal, volvam ter lugar.

Nom devemos esquecer que os dispositivos institucionais som apenas umha parte dum processo de transformaçom social muito máis amplo que deve operar em distintas capas e ritmos. “Nos quieren obligar a gobernar, no vamos a caer en esa provocación” dizíam provocativamente em Oaxaca. Nom queremos simplemente governar. Devemos ir máis alá. O municipalismo nom pode ser simplesmente a aspiraçom de gestionar melhor. Ademais disto, para converter em poder constituinte as propostas democráticas, é necesario alterar os mecanismos duns poderes municipais que no melhor dos casos bloqueiam, quando nom criminaliçam (como vemos nas última semanas em Elvinha ou em Coia) a palavra da gente, a participaçom vizinhal.

Em seis meses de processo, a Marea Atlántica tem conseguido dar quatro pasos importantes para construir umha ferramenta cidadá que posibilite um cambio político local. Em primeiro lugar, crear um espaço e umha melodía de coessom entre actores que manifestam umha vontade de cambio real. E faze-lo, ademais, desde um ecosistema onde é cidadanía activa a que marca o ritmo dos passos a dar. Em segundo, abrir no campo institucional a possibilidade antes fechada de que este seja democraticamente ocupado pola gente normal e de que o amplo espaço sociológico que manifesta querer superar o bipartidismo, poida optar por umha opçom de unidade popular. Em terceiro lugar construir um apelativo, umha consigna, Marea Atlántica, que aínda estando longe a día de hoje de chegar nitidamente a maioría da cidadanía, cada vez soa máis forte como umha voz limpa e coral. E, por último, continuar a fiar, nestas semanas, um instrumento ao serviço das necesidades da maioría que trata de encaixar armonicamente democracia e eficacia, solvencia e participaçom cidadá.

Porem, nom deveríamos esqueçer que a participaçom institucional está ferreamente desenhada para vetar todas as opçons políticas transformadoras. É por isso que, hai uns meses, pensamos que era a hora de lançar, com intensidade, umha Marea desde o Atlántico. É por isso que hoje entende-se necessária umha candidatura cívica que aglutine sectores críticos e activos numha confluencia em tres escalas: sectorial e barrial, política e social. Sube a Marea. Estamos sentando as bases. Tempos de emergência e acoso. A rúa pide, necesitamos, espaços de confluencia para atrever-nos a ganhar. “A vitoria é sempre para quem nom duvida”. E nom duvidamos na unidade popular e cidadá como a posibilidade que abre o caminho, nom so da victoria eleitoral, senom dum cambio democrático, dumha transformaçom política real.

Hai poucas ocassons nas que nos atopamos, de fronte, com cenarios onde os cambios efectivos podem ser possiveis. Hoje, podemos dize-lo: está nas nossas maos começar umha cidade (um pais), um mundo novo. Nom deixaremos a oportunidade passar.

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